20 September 2017

Quem está aí?

Tem hora, quer dizer, minuto, ou alguns minutos, em que acontece isso na lista de leitores do blog:

 

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Noruega 
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Brasil
16
 

A Noruega ficou à frente por um instante, quase agora, 9 e pouco da noite, no ranking. Fui ver meus emails, e não é que tinha mensagem de uma norueguesa que entrou nessas páginas. Foi ela. Sim, ela entrou por causa do príncipe da – ali do lado – Dinamarca, Hamlet, na minha peça de teatro Hamlet e Ofélia. Ela, que não fala português, não entendeu nada mas disse que gostou – gostou, acho, é da ideia da peça. Ela chegou a esse meu trabalho pelo Google. Depois aproveitou, conforme me disse no email, para olhar o que tinha mais aqui – e então encontrou os textos com tradução para o inglês, e aliás, foi, claro, em inglês que ela escreveu o email. E ela disse que também gostou desses textos traduzidos. Bom, então aí ela gostou mesmo do conteúdo. Que legal.

Ah, o título – na verdade, usando o jargão jornalístico, chapéu – desse post, Quem está aí?, é a frase que Shakespeare usou para abrir Hamlet. É o que diz o guarda Bernardo para o também guarda Francisco, que vai render no castelo de Hamlet naquela madrugada em que tudo começa nesse que é o mais importante texto da história da literatura mundial. É uma pergunta então que serve tanto para Francisco como para cada pessoa que está na plateia, ou lendo o livro. E no meu singelo caso para quem na Noruega – que participa de Hamlet com a monarquia dos Fortimbrás, rival  da de Hamlet – está vendo o que escrevo. Agora sei.

W.

19 August 2017

Silêncio

Palavras ao rastro de nós mesmos
(Esboço)

As palavras vão num jorro,
mas não a traço completo do jorro,
linha,
vão em jorro despedaçado,
só que cada parte é inteira,
jorro a jorro,
coágulos derramando-se das feridas,
estilhaços de sangue,
lascas,
glóbulos,
plasma,
coração,
esse pássaro selvagem em pós-réptil que não recolhe os restos do que era,
pois, sina do, ao universo, recente réptil, rasteja em voo por impulso,
músculo independente
que mesmo sem a atávica sina insiste em bater no peito
até,
faca,
febre
ou setembro,
as palavras serem incorporadas ao silêncio,
e o tempo parecesse ele próprio fóssil
que de imensas minúcias do pó será recoberto,
porque voltou,
antissíndrome,
ao primeiro quartzo,
e que seja o quartzo não a básica pedra
– que não era pedra, era, se, ponto no nada, nada no tudo, cápsula,
e cápsula que é fora,
originário,
ou reincidente originário,
comprimido espaço,
e, simultâneo, comprimido tempo –,
seja o quartzo a palavra quartzo,
da, se, invisível explosão, e, ainda se, pelo vácuo, o vago estrondo,
silencioso quartzo,
quartzo antes do quartzo,
sólida pulsante água,
água antes da água,
de que tinha,
e que seja a água a palavra água, ou gás, ou nada, ou tudo,
saído,
e que à época ainda intacto já anunciara
pela sua própria presença
o futuro verbo
sob o estigma da noite
– e seja noite a palavra noite,
e cada palavra a palavra –
com seu rastro de sombras na vastidão do escuro.
E nosso coração
é o das mitológicas feras,
aorta e carótida monstruosamente humanizadas,
impetuosidade sanguinolenta
deflagrando-se
entre a época em que os Toscos Bichos faziam seu rastro na história
e o tempo em que os novos bárbaros passaram a procurar esses vestígios,
deixando,
assim,
os seus,
que,
no último futuro,
da terra serão fogo.
Um dia,
na cela,
o monstro acorda do escuro que o enclausurava,
o longo desmaio,
e arranca o coração em cólera,
fúria dos precipícios,
ira descomunal,
ímpeto cruel
– desentranha a dor,
aumentando-a,
e
com olhos ainda rasos de luz
ao escapar do rapto
das trevas de que veio
inaugura para suas mãos
aquele músculo sem forma,
sangue em incessante fluxo,
substância que dele é desejo.
Recoloca-o sob rústica costura.
E na trajetória para se fixar  
nas colunas já decepadas
da Roma de lanças, elmos e leões
o sangue,
outro mesmo sangue,
espirra em nosso coração.
O que éramos
ou o que não éramos
vive também nos séculos em que não vivemos,
cada século com seu destino.
O efêmero é feroz.
Martirizamo-nos
como se,
à vaga luz dos olhos,
líquido cego,
procurássemos
o corte escondido no coração.
O jorro
do sangue
não permanece na lâmina,
e sim na memória da lâmina:
penumbras,
águas,
pétalas,
contornos,
extremos,
sedas,
mistérios,
hemorragia em que se resgatavam o homem e a mulher.
As estrelas,
e constelações,
também se buscam.
Muito antes
da época
em que não se faziam,
com as mãos,
nem o fogo nem o medo,
havia,
no oculto das faíscas a surgir,
o ímpeto
de duas órbitas
que,
camada a camada dos milênios,
iriam se dominar
num esparramado rastro
expandindo,
até os mais urgentes infinitos,
e com isso concentrando-os,
os instintivos todos sangues agora em jorro
das veias por destino de si vorazes
– e que dos pós iniciais
desinterrompem-se sob a concebida pele.
Uma atrai, e percorre, a outra
com mistérios que, ao íntimo, buscam mais mistérios,
e no simultâneo rapto coágulos se fundem dentro delas
e delas para o abrupto
em ápices, umidades e incandescências,
lavas irreprimíveis a cada súbito contínuo movimento
por, nelas próprias, vestígios a tornar

a órbita que
– sem o fluxo das artérias de outra,
não de qualquer,
mas da sua outra,
também,
como ela,
à procura
do que
no acúmulo da noite
nada fosse
estancado corte –
gira
na solidão
dos ainda externos remotos impulsos.
As bocas
dos dois corpos
que se atraem
têm na saliva
o sangue em sangue
um do outro,
líquido
que irrompe
das mais secretas volúpias
por precipícios,
e vertigens.
Neles
o plasma é membrana,
que nem lábios,
chama sempre em erupção.
O já-pronto,
com seus raios mais supérfluos,
é o fim,
o amorfo
em sua vã cristalinidade,
pedra sem alma.
Melhor o inacabado:
o atrito,
o corte,
a veia aberta
um sangue
que provoca
a essência
com o brusco pouco-a-pouco,
o milimétrico em jorro,
do eterno.
É a lasca na rocha
que,
oculto fio,
e não-ruína,
constrói todo o perpétuo:
a mão
se mantém
ali,
tocando,
como na mulher,
o mistério que,
aos olhos rasos para o se é externo,
e,
pela feminina ruptura,
de ímpetos sob a penumbra dos corpos um no outro,
torna-se
não só o recente completo,
ainda que o completo, ao que entrou, sempre seja úmida chaga,
mas a busca do que,
difuso,
é a origem
da enfim nossa única incessante, e por isso fixa, substância,
e ela,
em talhes, fibras e tendões,
e a cada desejo que pelos glóbulos em meio se forma,
justo para a substância prosseguir na substância,
me atrai.
Nela os mistérios não se contêm no corpo
e giram
em órbitas invisíveis a olhos sem ilusão.
Líquidos,
reflexos
e profundezas
jorram incessantes pelo ar.
É,
aos poucos até o súbito,
um tremor como se de recente mar
que sequer se desata da origem:
mesmo dos seus dentros
expande,
ela própria,
e a um espaço ainda nem alcançado,
toda a já incontida imensibilidade feminina.
No imediato do que a ela assim é urgente
faz também suas solidões
revelarem-se
de ocultos Netunos,
riscos à galáxia de lâminas e cicatrizes internas.
Umbigo,
costas,
éter,
bicos,
lábios,
tudo em suas órbitas sempre está em extrema margem,
sangue esperando o corte,
fio que à minha retina
e a cada veia
é o não-limite
entre o voo e o mergulho
na atração agora em ímpeto de nossas vontades.
E o universo reflete a mulher olhando em desejo o universo:
os fogos do espelho.
E ela,
ao mirar,
sob as internas chamas que se alardeiam,
seus lábios,
costelas,
pernas,
e as próprias retinas,
seus todos femininos mistérios enfim,
faz do espelho,
esse líquido fixo igual vidro concebido de fogo em fogo,
um quadro
 – um quadro em revolta.
Da mesma índole do espelho
o quadro,
o universo,
reproduz, então no instante em bruscos traços, outro mistério,
urgente após aquele:
o do homem
a entrar,
sob o impacto do incontido recém-mútuo anseio,
no escuro,
e nos abismos,
dos fogos que na mulher o atraem em convulsivas águas,
que se misturam a outras convulsivas águas,
como os fogos aos fogos,
os lábios aos lábios,
costelas a costelas,
ápices a ápices
– e a mulher,
assim,
a cada íntima pele irrompe seu mais escondido âmago,
que ela logo na origem,
e portanto à essência,
ao devolver para o universo
no reflexo de si própria
em já impreterível futura cólera,
igualmente no reflexo dele,
e por isso em mesmo colapso,
de volta capta.
À pele,
e olhos,
bocas,
costas,
exclusivas águas,
e incêndios,
a mulher transpõe-se em mulher no auge
– a mulher deflagrada dentro dela
corre por sanguíneos enigmas
para,
à fúria pelo homem,
e do homem,
apossar-se,
sem controle,
em águia, instinto, cio,
fêmea de ancestral herança,
a de antes da bíblica costela,
que a converte no remoto elo de sua sempre ilíada saga.
O no momento liberto infinito,
jorro de cálida fêmea Ártica, 
tumultua o que a ela antes era tão casto etéreo
para que a correnteza, súbita, num pretenso eterno a desate.
Da imensidão vazia da eternidade
desponta o que há muito,
e por destino,
de instinto se buscara,
e assim da nua Via Láctea irrompe a sempre nua mulher
– e ela transpõe, átimo a átimo, os ventos,
e os céus,
e no paradoxo entre o inclusive remoto fulgor e o imediato reflexo,
lança-se, inata, ao sol,
e noite,                                                                                
igual a jovem pássara que,
da mágica nunca ninguém saiba,
amarra-se,
mas em voo,
o voo original,
ao que no céu nos parece o vazio,
sem aparente fio para elevá-la, corda, nada.
Por também invisível fio no ar,
e à sua maneira de jovem pássara,
a mulher irradia o seu sempre exclusivo voo:
com secretas asas
faz do que está ao redor, acesas então as trevas, o seu infinito espaço,
mantendo,
estendida pelo voo,
a sua saga.
A mulher então,
íntegra Atena,
translúcida, se da mulher a mulher, a toda batalha,
e íntegra Vênus,
a bela, se da mulher a mulher, levada por cisnes,
vai aos desígnios do Olimpo,
de prévios deuses.
E que a ela todos os mares, e rios, mantenham cada caráter
– para que,
e no reflexo de um no outro,
são espelhos,
eles,
às diferenças,
que no profundo é igual voo,
se propaguem,
fixando-se depois à memória como fluida montanha.
Incumbida pelo juízo das divindades
a cumprir tão solene, e complexo, ritual,
e por elas em anuência das greco-romanas personificações,
a mulher se deflagra,
e gesto a gesto,
olhar a olhar,
mistério a mistério,
anuncia até às longínquas órbitas sua mais íntima dança
– universo por ela naquele instante reconquistado.
E a águia levou o mais alto ramo de um cedro no Líbano,
e a águia é mulher,
e o cedro em ramo, dentro, é a seiva que percorre a mulher.
As sedas do Oriente em quase Ásia
despontam nos árabes mediterrâneos líquidos
de que fenícios, à mão, e alfabeto, criaram Cartago,
e com isso a sombra como contraste sobreposta a Roma.
Helenizado,
e no após ptolomeico Egito,
selêucida era
e bizantina cruz,
o Líbano,
fluindo-se dos 3 mil metros do monte,
percorreu um real imaginário rio Litani até que o islâmico manto,
ainda que com latinas veias de Jerusalém,
e ventos otomanos,
e sob mesopotâmeo-palestino tremor de franco-britânica onda,
o cobrisse em maioria cedro,
que há cristandade pela raiz,
e dela o ramo de Davi.
Dessas históricas brumas,
e envolta por solitária dabke,
surge em pétalas a rara mulher.
São pétalas da noite, neve, sol, uivo, profunda Qadisha
– eterna sagrada flor.
Eterna sagrada flor de Beqaa.
A meus olhos,
que a projetam em única, e particular, dança,
a íntima dança,
como se aos eflúvios
do mais precioso ancestral vinho que brota do vale,
mas concêntrica nela mesma pelo feminino silêncio,
a mulher,
com relevos, e dentros, da flor que em si traz,
reluz todo seu esplendor
– fogo que antes se fechava em nó,
o nó que prende o desconhecido,
deixando-o sob distância do súbito acaso
de,
à revelação ao menos da parte mínima da essência,
converter-se em mistério.
As penumbras ocultas do mistério,
e justamente por ser de um mistério,
dissipam-se pelo espaço:
o olhar que as atiça
cria em torno da cena
um íntimo exterior universo.
As órbitas dispersas se unem,
o que refaz os céus, e os destinos.
As pétalas milimetricamente compõem-se ao passar dos séculos
para, por mais se já pétalas, agora é que seja o ápice.
Também milimetricamente,
as retinas dos meus olhos então as despertam,
resgatando-as das águas, abismos e crepúsculos do Gênesis
– e do tempo em que,
mesmo em flor,
só que inconclusa flor,
não teriam o espelho,
e os sonhos,
onde no átimo enfim completas se deflagrassem.
E as pétalas convergem à sua corola: umbigo da mulher,
labirinto em flor sob os mais profundos desejos.
No ímpeto o desejo dos olhos
busca
a cada giro seu próprio núcleo
a cicatriz de oculto mas fluído sexo.
O nó que se retrai ao ventre
é paradoxo em si:
ainda que com rústicos fios enlaça uma sempre recente seda,
intrínseco tecido a nos envolver em consenso rapto.
Infinita embora fechada,
ao homem
a seda decorre da mais particular feminina essência,
plasma externo,
que nos congrega.
O umbigo irrompe da mulher,
e a fenda se abre ela mesma como boca.
O tremor do mar está amarrado por aquele nó.
Jorro prestes a eclodir – palavra saindo do uivo.
As mais antigas águas
guardavam
as palavras,
criadas nos ecos de seus fluentes cristais,
para transmiti-las
aos homens que sabiam,
nelas próprias,
e por elas,
estar em gestação
as palavras foram expulsas da borda
pelo destino de entregar as sílabas
a ainda inexistentes homens,
refinando-as,
sob absoluto silêncio,
até,
no esforço de ser répteis e voos
em espera anunciada,
tornarem-se o que em si esculpiam,
nós,
mas,
pelo rastro,
mantendo o caráter, e o exterior, também em água,
sua essência,
guelras, escamas e vogais.
E assim há muito dizemos,
e confessamos,
as palavras,
todas elas,
e todas que conheceremos
e todas são busca,
agora por outra época quase eterna,
esta de retorno,
do oceano que,
em ondas,
da boca
desaguamos
no ar.
E Deus
disse
Faça-se o homem que é da sua mulher, e a mulher que é do seu homem,
e então Ele disse Faça-se a voz, e sangue, deles se misturar, e assim foi,
e a voz,
à extensão do sangue,
ressoa das marítimas correntezas,
e do tempo,
e de todas as criações
– céus, terra, luz, sombras, águas, frutos,
manhãs, noites, feras e o tudo mais –
a consagrar a íntima bíblica origem:
as puríssimas águas,
e os puríssimos voos,
que águas também são voos,
e voos, águas,
e deles o homem e a mulher.
Em voo,
e mergulho,
junto ao homem
a mulher,
no ímpeto,
busca o mais extremo limite,
e até interno,
em direção ao que,
reinaugurando o mundo,
antes nenhuma alada deusa
de Éfeso, Samotrácia, Cólquida
e as outras à mão direita de Atena

chegara.
No impulsionado voo
a mulher procura,
e também na volta,
água,
sua mais remota origem:
a profundeza de ser mulher.
Tudo a seu redor é órbita,
esplêndida Vênus que corre pelo céu,
e da própria Vênus
é mítico desigínio, sina.
O voo da fêmea,
de extensiva águia,
muda a correnteza, ainda que quase rente, aérea..
Seus olhos,
naquela mínima fração do infinito antes do ápice,
mesmo fechados miram o paradoxo entre o efêmero e o eterno.
A mulher, ao homem, desvenda-se sem fronteiras
e a cada entrega,
entrega que é conquista,
deixa,
de sua enigmática essência,
o rastro que o homem,
ao perseguir,
também alastra
em ininterrupta conquista,
conquista que é entrega.
O voo,
mútuo voo,
e mergulho,
então
é mais que um voo,
e água.
É destino da mulher na própria mulher
e no qual o homem
em sua  saga por ela se excede.
O mundo todo é inédito:
oceanos,
répteis,
raios,
iras,
números,
as remotas antiguidades de cada coisa,
tudo
a nossos olhos
é o limite mais recente
daquilo que em séculos ainda se forma.
Por mais que tudo pareça feito não está.
Falta sempre quem o inaugure,
o que lança a faísca
para pôr em ação
a engenharia do mundo:
os guepardos correm,
as nuvens concebem o trigo,
o espelho cega,
mas tudo,
embora em movimento,
permanece em sua própria fronteira,
no contido quase irrefreável dos acontecimentos,
inexibição do destino.
E mesmo com o mundo em frequente ação
tudo se mantém intacto
até quando,
de olhar em olhar,
cada mínimo infinito,
súbito,
inaugura-se.
Cada ato se refaz
nas sucessivas inaugurações
que os homens,
e mulheres,
do todo,
deflagram em si mesmos
– o que transforma
a água original
em pedra,
e faca,
e palavra.
E no universo de cada um.
E agora as palavras vão num jorro,
mas não a traço completo do jorro,
linha,
vão em jorro despedaçado,
jorro a jorro,
só que cada parte é inteira,
coágulos derramando-se das feridas,
estilhaços de sangue,
lascas,
glóbulos,
plasma,
coração,
esse pássaro selvagem pós-réptil que não recolhe os restos do que era,
pois, sina do, ao universo, recente réptil, rasteja em voo por impulso,
músculo independente
que mesmo sem a atávica sina insiste em bater no peito
até,
faca,
febre
ou setembro,
as palavras serem incorporadas ao silêncio,
e o tempo parecesse ele próprio fóssil
que de imensas minúcias do pó será recoberto,
porque voltou,
antissíndrome,
ao primeiro quartzo,
e que seja o quartzo não a básica pedra
– que não era pedra, era, se, ponto no nada, nada no tudo, cápsula,
e cápsula que é fora,
originário,
ou reincidente originário,
comprimido espaço,
e, simultâneo, comprimido tempo –,
seja o quartzo a palavra quartzo,
da, se, invisível explosão, e, ainda se, pelo vácuo, o vago estrondo,
silencioso quartzo,
quartzo antes do quartzo,
sólida pulsante água,
água antes da água,
de que tinha,
e que seja a água a palavra água, ou gás, ou nada, ou tudo,
saído,
e que à época ainda intacto já anunciara
pela sua própria presença
o futuro verbo
sob o estigma da noite
– e seja noite a palavra noite,
e cada palavra a palavra –
com seu rastro de sombras na vastidão do escuro.

W.