Saturday, September 24, 2011

Reimprimatur Nihil Obstat

Olá.

Por estar num momento bastante complicado - mudança de casa e de trabalho, vivendo então os detalhes que em certos momentos fazem a vida ficar urgentemente dramática - não estou postando as novidades que mesmo no meio desses dias mais cruéis venho procurando fazer.

Tem vez, não só agora, como antes, que me dá vontade de, sei lá, de três em três dias pôr um texto novo aqui até zerar a conta - mas é impossível. Primeiro porque nos últimos anos tenho feito bastante coisa, e não só em poesia - e então a cada três dias mais ou menos há, de forma até desesperadora, outro trabalho na fila. E segundo porque, pelo que está se encaminhando, devo começar a publicar o material, o daqui e o ainda inédito, em livros a partir do ano que vem, e aí sim poderei lançar mais tudo.

Só para dar uma ideia da, como disse em outro comentário, insanidade dessa minha fase de, será que posso dizer asssim?, produção, de um ano para cá fiz, falando apenas de alguns trabalhos pontuais, um ensaio sobre, meu Deus, onde fui me enfiar?, Shakespeare, quer dizer, sobre uma parte bastante específica da insuperável obra dele, de cerca de 1 milhão de toques, ou seja, um livro, acho, de umas 500, 600 páginas - estou numa etapa final de edição disso. Trabalho de fato insano. Outro exemplo, pronto há um bom tempo, é um poema de uns 100 mil toques, o que - referindo-se a tamanho, que quem sou eu para dizer da qualidade, se é que tem, do que escrevo - para um poema é algo bastante grande. E ainda tem outros projetos quase no todo realizados em que, pelo menos para mim, para levar adiante foi, e é, preciso muito fôlego e dedicação obstinada apesar de todas as dificuldades cruciais da vida: um baseado na Bíblia, outro em música clássica, outro, e este com partes já incluídas aqui no blog, em música popular, espécie de missão adquirida, afinal não sou músico, que sempre procuro fazer mais a cada mês, etc. etc. etc. Até meu trabalho sobre futebol cresceu muito nesse tempo: anos atrás, tinha cerca de vinte poemas. Hoje está com 90, algo assim.

Bom, tudo isso para dizer o seguinte: nesse período de complicadas mesmo mudanças pessoais vou passar a republicar determinados trabalhos colocados aqui, o que aliás já fiz com Sofia e Mesquita Azul no post anterior e de vez em quando faço de forma avulsa nestas páginas. Essas republicações vão sob o selo Reimprimatur Nihil Obstat.

Prossigo então aí embaixo - desta vez com frases, que neste espaço chamo de Miniensaios. No caso o tema é o futuro.

Beijos.
Abraços.
E sempre de verdade obrigado,
P.

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Miniensaios sobre Vãs vanguardas e outras futurices

O novo não é melhor que o melhor.

A modernidade muitas vezes é o escudo dos retrógrados.

Quando se vulgariza, o moderno logo vira velharia.

Desconfie dos modernos feitos para durar só até amanhã.

O futuro é sempre usado como cúmplice pelo mau artista que diz que sua arte só será entendida muito tempo depois.

Ao contrário do que se pensa, o futuro, como ideia, é descartável e o passado, não.

Como um relógio, o futuro pode quebrar.

O relógio não sabe o que é futuro.

O futuro nem sempre é moderno.

O futuro nos matará mas morreremos no presente.

Ao chegar, o futuro exibe muitas atrocidades artísticas feitas em seu nome.

É o futuro que abriga antiguidades.

Tem jovem que é jovem só porque nasceu há pouco tempo.

Não se constrói o futuro com futuro.

O moderno muitas vezes não resiste ao futuro.

Só se é moderno no presente.

O futuro não é feito de modernidades.

Moderno nem sempre é significado de modernidade. E vice-versa.

Quando o futuro chegar já seremos antigos.

Quanto mais o futuro chega mais o passado é construído.

Não se constrói o futuro mas o passado.

Nunca existimos no futuro.

Os mais modernos binóculos só mostram o presente.

O futuro não faz nada por ele mesmo.

O futuro é uma vaidade do tempo.

O futuro é só um segundo menos antigo que o passado.

Quantos futuros já não aconteceram para que deixássemos de acreditar tanto nele?

O futuro existe desde sempre. O futuro é antigo.

O maior truque do futuro é sempre parecer que será melhor do que o último que passou.

O futuro é o eterno álibi de Deus.