Novembro, 16

Olhos nus
Para Talita - por todos os hojes e sempres
O olhar é a parte mais nua do corpo.
Despe-se à luz que do seu oculto,
apesar dos raios,
sol irradia
- por anseio que a expõe,
ou espontâneo flagrante,
a nudez é tanta
que deixa todo o corpo da mulher,
de múltiplas órbitas abstratas,
mais íntimo,
de uma proximidade que,
seja até antes do impulso,
quase se pega.
Ao mesmo tempo
em que a chama a acende
pelo também mistério envolve-a
de, a quem não a desate, intrínsecas sombras
- paradoxo que converte a mulher
no autêntico mítico desígnio.
Quando
- como se, à flor, noturnas pétalas -
as pálpebras dela
fecham-se sob sono pelo ramo que, por remota corrente, é líquido
as, pois são águas, faíscas,
últimas antes do recôndito a cada vez em segredo abismo,
que emite na tão perto atmosfera
seguem o atávico rumo
mesmo que a mulher,
no exceto à primeira índole da mulher,
a do umbigo portanto irrevelando-se,
pareça prestes a ser, porque de sutileza o eflúvio, apenas etérea.
Então úmido da luz feminina derramada sobre seu corpo tosco
o homem
prorroga em si e no redor o que capta
da essência de quem,
no instante,
vê coberta pelo próprio recém-desejo
- a mulher
que,
de vislumbre em vislumbre,
aquele que agora a ate na saga do eterno,
e ao crepúsculo de sempre inédita penumbra,
os olhos,
por sucessivo ilusório reflexo ainda nus,
no táctil risco que à volúpia percorre o ar redesnudam.

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