Peixes
Reimprimatur Nihil Obstat
Um, juntos, a um, os peixes,
em cardume,
cortam quietos a água
e,
em vez de à eventual deriva,
o destino os segue pelo mais calor,
se fuga do irradiado Antártico,
pela boca,
se de próxima imediata sobrevida,
pelo fixo rumo,
se de hereditária busca.
De cada particular peixe,
mas de único que iguala todos,
o todo, já em recente monstro, deixa líquido rastro de animal
que, no contato de escama em escama, desbrava o em volta
como se, ainda que sem fúria, ameaçador transatlântico tubarão.
De maleável vitral,
o cardume,
pelo mais profundo vidro,
é, no detalhe, fibra,
fio de cor até têxtil
que, ao inteiro quadro, é compacto tecido
desfiado em pedras, que vidros, e, retidos, mosaico, por ladrilhos.
Um, só um, peixe
é, embora complexo, de horizontal simplicidade
e,
vários,
em série,
de nítido enredo contanto a paralelos prolixos traços.
Sob a trama,
os peixes,
no cardume,
formam, o que num a num já é, clássica geométrica pintura,
agora de extensa tinta.
A pintura, ao fim da sina, desmancha,
ponto a ponto que se move até escapar da repleta imagem
- todo peixe continua sua íntima saga,
que, se, de a cada, o faz efêmero bloco,
faz, do ao todo, também transitório nó,
e com exclusivo também vestígio.
Os vestígios,
de tanto,
viram marcas na suposta imperpétua água
pois,
peixe a peixe,
e de cardume a cardume,
os riscos,
pelas sólidas frestas da destilada imensa substância,
revelam os cursos que o novo mesmo peixe,
se a próprio âmago ou, por múltiplo, cardume,
sempre procurará
com sua plácida reta quase a lápis,
se então um,
ou numeroso incêndio,
se então anexado absoluto corpo vasto.

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